Loucura da Cruz!

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domingo, 23 de janeiro de 2011

"Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem"(Lc 23,34)


           "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem"(Lc 23,34). No último artigo (Midia e a Teoria da Conspiracão: da TV do Big Brother às páginas das revistas) tratou-se aqui de uma aparente Teoria da Conspiração da Mídia brasileira na degradação do homem, imagem e semelhança de Deus.

         Citou-se aqui a participação de figuras famosas na mídia, principalmente na TV, mas também nas revistas e outros meios de comunicação. O tema deste artigo, bem como do anterior congênere surgiu de emails e conversas sobre o conceito de pecado, consciência e conseqüências dele. Muitos amigos pensam que a sociedade e seus ambientes como família, trabalho, lazer e etc. vivem uma crise de valores constantemente repetidos que se tornaram corriqueiros e tão comuns que afetariam a consciência do homem mediano. Nosso texto é reflexo destes diálogos...

"Tudo posso, mas nem tudo me convém"(1Cor. 6,12)
     

Hoje vejo claramente que "tudo posso, mas nem tudo me convém"(1Cor. 6,12). Mas não o foi assim sempre, de forma consciente só conheci a Cristo e a Igreja na idade adulta, vejo que algumas pessoas que aparecem na televisão, no rádio, na internet e em outros veículos fazendo e falando bobagens ainda não tiveram a oportunidade de serem apresentados a beleza de Cristo e de sua Igreja. É claro que muitos pecam e o fazem com toda a consciência, principalmente quanto a temas abertamente discutidos (como o exemplo do aborto). Falo aqui de outros pecados, àqueles que se tornaram tão comuns que homens e mulheres não educados na fé e valores cristãos cometem de forma tão inconscientes como uma criança.

       Como sigo repetidamente no tema, percebe-se que a degradação dos valores morais me perturba. Tento entender por que divulga-se, cultua-se e idolatra-se tanto o corpo, o sexo e o hedonismo. Não consigo. Atribuo a Mídia, mas não devo esquecer dos pais, padrinhos (como se escolhem mal os padrinhos de nossas crianças hoje), tios, amigos, professores e etc., que têm responsabilidade na formação moral dos futuros adultos.

          Buscando esta compreensão tomei para reler o "Compêndio de Catecismo da Igreja Católica"(Papa Bento XVI, Edições Loyola e Paulus, 2005) e lá encontrei algumas respostas:

372. O que é a consciência moral?
A consciência moral, presente no íntimo da pessoa, é um juízo da razão, que, no momento oportuno, impõe ao homem fazer o bem e evitar o mal. Graças a ela a pessoa humana percebe a qualidade moral de um ato a ser realizado ou já realizado, permitindo-lhe assumir sua  responsabilidade. Quando escuta a consciência moral, o homem prudente pode ouvir a voz de Deus que lhe fala.

373. O que implica a dignidade da pessoa em relação à consciência moral?
A dignidade da pessoa humana implica a retidão da consciência moral( ou seja, que esteja de acordo com o que é justo e bom segundo a Lei Divina). Por motivo da mesma dignidade pessoal, o homem não deve ser obrigado a agir contra a consciência e não se deve sequer impedi-lo, dentro dos limites do bem comum, de operar em conformidade com ela, sobretudo no campo religioso.

374. Como se forma a consciência moral para que seja reta e verídica?
A consciência moral reta e verídica forma-se com a educação, com a assimilação da Palavra de Deus e do ensinamento da Igreja. É sustentada pelos dons do Espírito Santo e ajudada pelos conselhos de pessoas sábias. Além disso, para a formação moral concorrem muito a oração e o exame de consciência.

376. A consciência moral pode emitir juízos errôneos?
A pessoa deve sempre obedecer ao juízo certo da própria consciência, mas pode emitir também juízos errôneos, por causas nem sempre isentas de culpa pessoal. Não é, porém, imputável à pessoa o mal realizado por ignorância involuntária, ainda que isso seja objetivamente um mal. É, portanto, necessário esforçar-se para corrigir a consciência moral dos seus erros.

       O nosso Papa Bento XVI neste capítulos nos mostra a importância da educação dos jovens por pessoas sábias e a importância da consciência moral na prática dos nossos atos. Esta a é questão, estamos reproduzindo um conceito de vida em que quase tudo pode ser feito; um conceito de vida em que "quase tudo convém ao homem de hoje". Digo quase, pois ainda, mesmo que por enquanto, se respeitam alguns valores, mas outros tantos, como os ligados ao conceito católico de castidade, modéstia, continência, fidelidade [frutos do Espírito Santo(Gl 5,22-23 )] estão em decadência contínua. Mas será que nós, os "atores" de hoje o fazemos conscientemente? Será que esta reprodução já tão constante de desvalores vem criando, já a algumas décadas, homens e mulheres inconscientes de que se viver como "brothers" não é o verdadeiro caminho para a felicidade?

        Penso se esta busca insana pela fama e pelo dinheiro que tanto atrai a juventude a programas de reality show, fazendo-a expor corpo, mente, valores e fé (naõ sei em quê?) já não vem sendo criada há tempos. Se esta quantidade de gente que visa se manter de ensaios pornográficos, convites para festas, sendo pseudo-famosos não está apenas repetindo (e aprofundando) valores aprendidos da Mídia que surgiram há mais ou menos uns 20 anos atrás. Valores declarados nas novelas, mini-séries, seriados, Playboy, Sexy, Caras, Contigo, Capricho e por aí vai. Como dizia um amigo meu: "Pagando bem, que mal tem?"

     Não, não e não! Eu não sou tão ingênuo de achar que todo mundo é inocente e não sabe o que está fazendo. Estou apenas cogitando, "aqui em baixo" com a minha ignorância, uma hipótese de constante repetição de pecados que leva a sociedade a pensar que não há mal nisto. Sei que há tantos intelectuais, artistas, escritores, jornalistas, religiosos e etc. que publicam textos e artigos em jornais criticando o contexto atual da sociedade brasileira; mas parece pouco diante da enxurrada de péssimos exemplos disfarçados de bons; parece pouco diante da enxurrada de pecados."O pecado é uma palavra, um ato ou um desejo contrários a Lei eterna" já disse Santo Agostinho. O pecado fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana (Comp. do Catecismo da Igreja Católica, Bento XVI). O pecado repetidas vezes leva ao vício; os vícios por sua vez ofuscam a consciência e inclinam ao mal. Bento XVI lembra que os vícios podem estar ligados aos sete pecados capitais (soberba, avareza, inveja, ira, impureza, gula, preguiça ou acídia).

         Perdoem-me por voltar ao tema...mas me parece que é isto que está acontecendo. Há uma frase muito popular que mostra também a nossa responsabilidade: "Os maus não são bons, porque os bons não são melhores". Ainda bem que temos a Igreja "Mater et Magistra", Mãe e Mestra, depositária da fé; alguns bons (católicos) amigos e as nossas (católicas) famílias, como pilares que nos sustentam.
    

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